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A Virtude da Esperança em Nossa Senhora | |
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Confira o Sermão proferido pelo Pe. Claudiomar no 2.° dia da Novena em honra de Nossa Senhora do Carmo, na Igreja da Venerável Ordem Terceira do Carmo, em Campos. “Contra spem in spem credidit – Esperou contra toda a Esperança” (Rm. 4,18) INTRODUÇÃO. A sombra da tristeza, da angústia e da incerteza pairava sobre o homem. Depois de terem sido criados por Deus em santidade e felicidade, e cumulados de todos os bens, Adão e Eva ofenderam a Deus: perderam sua amizade, estavam para ser expulsos do Paraíso, perderam a herança do Céu. 1) MISERICÓRDIA DE DEUS: ESPERANÇA DO MUNDO. Mas Deus, o Sumo Bem, não abandonou sua criatura. a) Promessa do Salvador: Deus não deixa Adão e Eva sem esperança na vida. Promete-lhes, ao amaldiçoar a serpente: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela: Ela te esmagará a cabeça” (Gen. 3,15). – A partir de então toda a humanidade começou a esperar por essa Mulher Bendita, que traria ao mundo a salvação. b) Dilúvio: Porém, os filhos de Deus foram se misturando com os filhos dos homens, e a humanidade se entregou aos vícios, esquecendo-se da promessa divina. E foi tão grande a perdição moral, que Deus decidiu eliminar a humanidade pelo Dilúvio. Mas, houve um homem que acreditou em Deus. Deus lhe fez uma promessa. Ele acreditou, ele esperou. Ele construiu a Arca e salvando-se da inundação, salvou a todos nós: Noé. c) Abraão: Com o passar do tempo, porém, a humanidade se esqueceu do dilúvio e, piorando a situação anterior, se esqueceu da existência de Deus, começando a adorar as criaturas no lugar do Criador. Surgiu no mundo a idolatria. Foi então que Deus chamou Abrão, homem reto de coração, de Ur na Caldéia, ordenando-lhe a deixar sua pátria e seguir para uma terra nova, prometendo fazê-lo pai de uma grande descendência, de onde sairia o Salvador. Abraão parte para Canaã, acredita e espera na Promessa. Sua esposa Sara, idosa e estéril, concebe um filho milagrosamente. Mas, chega a grande provação. Deus quer testar a fidelidade de Abraão e ordena que este lhe sacrifique seu filho único Isaac. Foi assim que Abraão “Esperou contra toda a esperança”. Disse sim a Deus, e, quando ia imolar seu filho, um anjo conteve-lhe a mão, poupando Isaac e colocando uma ovelha em seu lugar. d) Povo de Israel. “Foi na fé que todos os nossos pais morreram. Embora sem atingir o que lhes tinha sido prometido, viram-no e o saudaram de longe, confessando que eram só ‘estrangeiros e peregrinos sobre a terra’ (Gn. 23,4). Dizendo isso, declaravam que buscavam uma Pátria... Eles esperavam uma Pátria melhor: a celestial” (Hb. 11,13-16). Foi essa grande esperança que moveu o mundo... 2) PLENITUDE DOS TEMPOS: CUMPRIMENTO DA PROMESSA.“Mas, quando veio a plenitude dos tempos...” (Gal. 4,4). Em uma pobre casa no pequeno lugarejo de Nazaré no interior da Galiléia, havia uma moça simples em oração. De repente, ela é surpreendida por um Anjo que lhe anuncia: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo... Não temas, Maria... Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo” – Mas, aquela moça tinha consagrado sua virgindade a Deus: como poderia ser mãe? – “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o filho que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc. 1, 26-34). Nesse momento, um grande silêncio se apodera do Céu e da terra. Os anjos e os homens aguardam uma palavra... É então que, mesmo conhecendo pelas Escrituras a grandeza desta missão, mesmo na sua humildade reconhecendo sua pequenez e incapacidade, mesmo estando diante do mistério da maternidade virginal, “esperando contra toda a esperança”, a humilde Virgem diz: “Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”. No sim de Maria se realizou toda a esperança de Israel, toda a esperança da humanidade. 3) “CONTRA SPEM IN SPEM CREDIDIT – ESPEROU CONTRA TODA ESPERANÇA”. E esse Filho que lhe foi dado, Ela o trouxe ao mundo como o Messias esperado. Mas: a) Quando Ele nasce, é externamente uma criança como as outras: é preciso acreditar na sua divindade... b) Ele logo é odiado e perseguido por Herodes. Então Nossa Senhora se vê obrigada a fugir para o Egito para proteger ao seu filho. O Filho de Deus que se mostra indefeso: é preciso acreditar e esperar... c) Enquanto Ele prega a bondade e o amor de Deus, cresce o ódio e a perseguição dos homens: Ela continua esperando e acreditando... d) Quando chega o momento supremo, injustiçado, seu Filho é pregado em uma Cruz. Seus amigos fogem, e, quando todos pensam que Ele morria derrotado e frustrado, quando todos perdiam a esperança e O abandonavam, Ela estava lá, de pé, junto à Cruz, “Esperando contra toda a Esperança”. e) E, enquanto as mulheres iam, na manhã de domingo, para ungir o Corpo d’Aquele que julgavam morto, Ela já O contemplava vivo, glorioso, vitorioso: era a Páscoa: “Regina Coeli, laetare, Aleluia!” CONCLUSÃO. Diz o Papa Bento XVI: “A esperança não é só um ideal ou um sentimento, mas uma pessoa viva: Jesus Cristo, Filho de Deus. O ‘Deus vivo’ é Cristo ressuscitado e presente no mundo. É Ele a verdadeira esperança: Cristo que vive conosco e em nós e que nos chama a participar na sua própria vida eterna. Se não estamos sozinhos, se Ele está conosco, aliás, se é Ele o nosso presente e o nosso futuro, por que temer?” “Que em nosso caminho acompanhe-nos a Virgem Maria, Mãe da Esperança. Aquela que encarnou a esperança de Israel, que doou ao mundo o Salvador e permaneceu firme na esperança, aos pés da Cruz, é para nós modelo e amparo. Sobretudo, Maria intercede por nós e guia-nos na escuridão das nossas dificuldades para o alvorecer radioso do encontro com o Ressuscitado.” (Mensagem para a JMJ 2009). Que Nossa Senhora do Carmo, a quem invocamos na Ladainha Lauretana-Carmelitana como "Spes Omnium Carmelitarum - Esperança de todos os Carmelitas", Ela que é a Esperança de todos os Cristãos, cubra-nos com seu escapulário e nos faça sempre esperar contra toda esperança! “Contra spem in spem credidit – Esperou contra toda a Esperança” (Rm. 4,18) |
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A Virtude da Esperança em Nossa Senhora
© Copyright 2010 Pe. Claudiomar & Paróquia Nossa Senhora de Fátima
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